Pressionado, José Boto perde credibilidade com jogadores e funcionários do Flamengo

José Boto atravessa o momento mais delicado de sua gestão no Flamengo. A condução da saída do técnico Filipe Luís gerou desconforto generalizado entre jogadores e funcionários do clube, intensificando a rejeição ao diretor de futebol que já enfrentava resistências internas. As informações são do jornalista Cahê Mota, do ge.

Demissão de Filipe gera críticas sobre método

A desligamento partiu de decisão do presidente Bap, mas foi executado por Boto. No vestiário do Maracanã, logo após Filipe Luís conceder entrevista coletiva, o português comunicou o desligamento em conversa que durou menos de um minuto. Naquela ocasião, Boto disse que a determinação vinha da presidência e que pessoalmente discordava da medida.

José Boto ao lado do presidente Bap. Foto: Flamengo

O incômodo ganhou força quando informações publicadas pela imprensa revelaram que o diretor já negociava com Leonardo Jardim dias antes de formalizar a demissão de Filipe. A inconsistência entre o discurso privado e as ações paralelas circulou pelo CT e alimentou a desconfiança.

Diretor culpa elenco por desempenho

No treino de terça-feira, Boto reuniu os atletas por cerca de dois minutos para abordar a saída do treinador. Em suas palavras, o diretor transferiu responsabilidade aos jogadores, apontando-os como corresponsáveis pela mudança técnica e relativizando o peso da decisão administrativa. Segundo sua avaliação, parte do elenco prioriza negociações contratuais em detrimento do desempenho em campo.

Os atletas receberam mal a fala. Ninguém se pronunciou após o diretor deixar o espaço, deixando apenas silêncio como resposta.

Oscilação nas relações com Filipe

Durante boa parte da gestão, Boto cedeu espaço de decisão a Filipe Luís e atendeu suas demandas. Em outras situações, o diretor defendeu o técnico perante Bap. Esse cenário mudou nos dias anteriores à demissão, quando se estabeleceu um afastamento gradual entre ambos.

José Boto e Filipe Luís na final da Libertadores de 2025. Foto: Adriano Fontes/CRF

Apesar da turbulência, o presidente mantém confiança em Boto, que continua sendo seu interlocutor principal em questões do futebol. Ainda assim, o cargo do português não está completamente seguro. O clima no clube chegou a patamares considerados quase insustentáveis, levando Bap a intensificar sua atuação operacional nos últimos meses.

Boto sofre pressão de torcedores, que protestaram em frente ao Ninho do Urubu nos últimos dias. Internamente, porém, sua posição oscila. Embora Bap o ouça atentamente sobre futebol, o diretor não colhe unanimidade dentro da instituição. Jogadores e outros integrantes do clube criticam especialmente sua comunicação e afastamento em momentos sensíveis.

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