Ameaças, ditadura e medo: a história da RD Congo antes de enfrentar o Brasil na Copa

A única participação antes da era atual

A atual República Democrática do Congo disputará sua primeira Copa do Mundo com esse nome em 2026. No entanto, o país já esteve no torneio em 1974, quando ainda era chamado de Zaire.

Naquela edição, a seleção africana entrou para a história por motivos que vão muito além dos resultados dentro de campo. Afinal, os jogadores enfrentaram problemas políticos, promessas não cumpridas e até ameaças do governo.

Ditador usava o futebol como propaganda

Na década de 1970, o país era comandado por Mobutu Sese Seko, que enxergava o futebol como uma ferramenta para fortalecer sua imagem.

Por isso, antes da Copa do Mundo, o governo prometeu casas, carros e premiações financeiras aos atletas caso representassem bem o país no torneio.

Entretanto, após a estreia contra a Escócia, os jogadores descobriram que os valores prometidos não chegariam até eles.

Foto: Reprodução

Goleada histórica aumentou a crise

Depois da derrota por 2 a 0 para a Escócia, o ambiente interno se deteriorou rapidamente. Revoltados, alguns atletas chegaram a cogitar não entrar em campo na partida seguinte.

Mesmo assim, a equipe disputou o confronto contra a antiga Iugoslávia e sofreu uma goleada histórica por 9 a 0, uma das maiores da história das Copas do Mundo.

Além disso, o resultado gerou enorme repercussão internacional e provocou a ira do regime de Mobutu.

Ameaça antes do duelo com o Brasil

Após a humilhante derrota, representantes do governo e integrantes das forças de segurança se reuniram com a delegação.

Segundo relatos que se tornaram conhecidos ao longo dos anos, os jogadores receberam um aviso severo: não poderiam perder para o Brasil por quatro ou mais gols de diferença.

Caso isso acontecesse, os atletas temiam represálias graves ao retornarem para casa.

O lance que marcou a história das Copas

Diante desse cenário de pressão e medo, o Zaire entrou em campo contra o Brasil completamente abalado.

A seleção brasileira vencia por 3 a 0 quando ocorreu um dos episódios mais famosos da história dos Mundiais. Em uma cobrança de falta de Rivellino, o zagueiro Mwepu Ilunga saiu correndo da barreira e chutou a bola para longe antes da cobrança.

Durante décadas, muitos interpretaram a cena como desconhecimento das regras do futebol.

Verdade veio à tona anos depois

Anos mais tarde, o próprio Ilunga explicou que sua atitude foi intencional.

Segundo ele, o objetivo era ganhar tempo e evitar que o Brasil marcasse mais um gol, resultado que poderia agravar ainda mais a situação dos atletas diante das ameaças recebidas.

Dessa forma, um dos lances mais curiosos da história das Copas ganhou um significado completamente diferente.

Brasil evitou tragédia maior

No fim das contas, o Brasil venceu por 3 a 0, resultado que eliminou o Zaire, mas manteve a diferença abaixo do limite que aterrorizava os jogadores.

Por isso, a partida ficou marcada não apenas pelo futebol, mas também por uma das histórias mais dramáticas já registradas em uma Copa do Mundo, envolvendo política, medo e sobrevivência.

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